Não faz muito tempo fiz um post sobre uma edição da Visionaire, que convidou vários nomes importantes da indústria da moda para assinarem estampas para camisas pólo. A Visionaire, não é uma publicação comum, seus álbuns, que são referência para quem trabalha com moda, são lançados apenas 3 vezes ao ano, e por isso muito esperados e igualmente bem elaborados. Na sua última edição, (que costuma ter formatos altamente diferenciados, não mantendo uma forma de apresentação), ela é apresentada em uma caixa roxa, devidamente numerada com uma placa de metal que traz dentro uma coleção de pequenas surpresas. Com a colaboração do mestre em “engenharia de papel” Bruce Foster, foi criada uma série de cartões, cada um assinado por um belíssimo time de artistas, designers e fotógrafos. Os cartões confecionados em papel rígido e com lombadas como se fossem livros, em conjunto funciona como uma espécie de portfólio em formato pop-up. Pra quem não sabe, pop-up é uma técnica de dar volume ao papel através de recortes, apliques e dobraduras, de modo que ao virarmos uma página, um volume armado apareça diante de nossos olhos. Essa técnica é muito usada em livros infantis como forma de estimular a leitura proporcionando ao leitor uma experiência dinâmica. O resultado é uma edição de babar com nomes como Steven Meisel, Mario Testino e Gareth Pugh (de quem falei num post anterior) num incrível exercício de criatividade. Confira as belas imagens abaixo e se quiser ver mais visite o site da Visionaire. Como é de se esperar será mais uma edição a ser transformada em peça de colecionador.
Eu tenho um outro blog onde exponho e vendo meus stickers ou adesivos decorativos para ambientes (visitem também o luciana-designer.blogspot.com). E estou fazendo uma série de adesivos para notebook. Essa é a primeira sequência que fiz, e resolvi postar aqui porque o tema escolhido foi moda. Criei uma personagem fashion que a princípio estou chamando de Darling (pode ser que eu mude ainda). Pretendo fazê-la em várias situações, na verdade em pequenos editoriais de moda. Quem se interessar e quizer sair arrasando com seu notebook é só entrar em contato para adquirir uma dessas belezinhas. O preço é R$ 50,00 para o de 15'' e R$ 45,00 para o de 14".
Outro dia num jantar com minha irmã e meu cunhado, falávamos sobre um artista plástico que sem espaço para vender seu trabalho, acaba oferencendo-o à amigos em repartições públicas, em troca de algo pra sobreviver. Aquele papo me deixou triste pra caramba, afinal, o artista em questão é alguém que tem um trabalho sólido, e sempre foi fiel ao seu estilo. Não paro de pensar que essa situação absurda não seria tão comum se muitos de nós não achassem que arte só existe pra ornar com o sofá da sala e enfeitar parede. Pensando neste mesmo assunto, dia desses estava lendo um dos meus livros de moda que falava sobre estilo pessoal. Sobre acreditar no que se faz e persistir naquilo mesmo que a princípio os outros não nos compreendam. Se o que você faz for genuíno, acredite: mais cedo ou mais tarde alguém vai lhe notar. Talvez não seja fácil, talvez você fraqueje, mas não desista tão rápido. Esse conselho parece blábláblá de auto-ajuda, mas acho que posso falar disso um pouco, minha autocrítica permite, acho que estou no grupo dos que fraquejou um pouco, mas ainda não desisti. (Viu Natália!!) Tem um cara que se chama Gareth Pugh, que hoje é considerado pela critica especializada um dos principais nomes da moda de vanguarda. Inglês de 27 anos, ele tem os dois pés na década que nasceu (80), mas alia a isso um frescor futurista. Porque lembrei dele? Porque nos seus primeiros anos de carreira, Gareth quase não vendeu, alguns lhe viam como uma promessa, mas ele fazia roupa apenas para a passarela. Utilizando materiais inusitados como PVC inflado e Plexiglass em volumes esculturais, que causavam enorme impacto em seus desfiles, Gareth não fazia roupa que pudessem entrar em linha de produção, mas em compensação marcou seu estilo e hoje já vestiu nomes como Kylie Minogue e Beyonce em seus shows e clipes.
Antes disso, Gareth chegou a receber ordem judicial para deixar o imóvel em que funcionava seu ateliê. Hoje ele descobriu seu espaço no mercado, encaixou sua moda-arte onde pode viver dela. Mas só chegou lá porque persistiu no seu estilo e encontrou seu lado comercial. Além de sua marca própria, fala-se que ele será o novo criativo da Dior Homme. O fato é que sua persistência fez com que seu nome fosse associado a um estilo moderno e único, repleto de novidades, construções geométricas e a união entre o preto e branco sempre presente em suas coleções.
As imagens acima são de sua coleção de 2009, e as outras abaixo são da sua coleção de 2007 (ainda pouco comercial) que dada à sua importância, pode ser vista no site do Victoria and Albert Museum na sessão Fashion in Motion.
E o São Paulo Fashion Week terminou, com destaque (a meu ver) para os maravilhosos desfiles da Osklen, Ronaldo Fraga e Animale. E acabei de descobrir no Uol, que a opnião para o editor de moda deles também foi a mesma. Porque os três? A Osklen, é uma marca que gosto demais, pelo seu elegante despojamento e conforto, e que para este inverno trouxe roupas de moleton, aquele tecido que não se vê nas araras há muito tempo, desde a década de 80. Na verdade a marca não foi a primeiro a "redescobrir" esta matéria prima, já que tem algum tempo que a moda de rua ressucitou os casacos de capuzes, por exemplo. Mas a Osklen, fez mais, trouxe cortes novos e tratamentos diferenciados para os moletons e tricôs em uma coleção belissímamente apresentada por modelos de rostos quase lavados e dreads nos cabelos que se harmonizavam perfeitamente com a roupa.
O segundo desfile, o de Ronaldo Fraga (do qual já falei aqui), foi inesquecível, o que é um feito quase hercúleo nesse meio de efemeridades. Ronaldo emocionou e saiu do lugar comum com sua moda autoral e lúdica. O encontro de gerações desenhado com giz, não se apagará tão fácil da nossa memória.
O terceiro, o da Animale, foi um dos que mais surpreendeu. A marca, que tem um perfil, digamos assim, mas "fatal", que costuma fazer coleções mais comerciais, com uma abordagem sexy sofisticada, para um público já fiel a esse filão, trouxe uma coleção, mais "cabeça". Com pesquisa de tecidos, tramas e materiais, a Animale refrescou a sua proposta. Não deixou de ser sexy, mas mostrou um sexy moderno, longe do convencional. Para quem como eu gosta de ver o que a roupa ainda pode mostrar de novo, esse desfile foi um prato cheio. Tricôs com fios metalizados, moldagem à vácuo, desenhos inspirados nos volumes dos músculos, formas arredondadas, maxi-zíperes, recortes e drapeados incríveis e estampas instigantes de tramas musculares e uma coisa que mais pareciam um conjunto de células, animaram a passarela. Sem contar nos corpetes, ícones de sensualidade, que foram reinventados e utilizados de forma menos óbvia sob os tricôs e apenas sugeridos.
Queria muito um daqueles casacos de lã moldada, de preferência o cinza escuro, quem se habilita?
Muito se fala de inclusão social hoje. Mas é fato que a moda é um dos meios mais democráticos e ao mesmo tempo mais excludentes que existem. Corpos perfeitamente magros e, que são privilégio de poucas, desfilam e encantam a cada estação em que os criadores nos brindam com suas coleções de estações frias ou quentes, como o SPFW em sua edição de inverno que acontece agora em São Paulo.
No meio de muita roupa bonita, mas até certo ponto convencional, não raro acontecem algumas coisas daquelas que nos arrepiam e nos fazem pensar. Jun Nakao, já nos encantou a todos em 2004, neste mesmo evento, ao discutir a efemeridade da moda com uma maravilhosa coleção de roupas feitas em papel que ao final do desfile foram rasgadas pelas modelos, frente a uma platéia que não acreditava no que via. Moda que filosofa, questionando-se a si própria.
Esse ano, o maravilhoso Ronaldo Fraga, trouxe para a passarela não somente moda, mas pensamento. Num espetáculo dos mais belos, vestiu crianças e idosos com suas roupas e os pôs para desfilar, frente à críticos, compradores, curiosos, aficionados e quem mais quisesse ver que regras às vezes são burras. E muitas vezes não nos questionamos se precisamos seguí-las de verdade, apenas as seguimos, como se fosse uma verdade absoluta.
Hoje, tanto eu quanto centenas ou milhares de outras pessoas talvez, se sentiu libertada. Melhor ainda, creio que muitos se sentiram de certo modo vingados, olhando aquela linda passarela de Ronaldo, colorida de diferenças, de belezas como elas realmente são, em seu tempo e a seu tempo. Moda pra ser vestida por qualquer pessoa, sem que esta precise usar manequim 36, ou que sequer tenha passado da puberdade. Modelos de gente, vestida com elegância, humor e estilo de um dos maiores criadores que o Brasil já gerou. Esse mineiro inventivo, e contestador que hoje nos encheu de emoção. Um show de inclusão.
Esse negócio de atribuir valor à uma marca sempre é uma questão polêmica. Para muitos, nada que um estilista ou marca faça, justificará sua super-valorização no mercado, ou o preço cobrado por uma peça de vestuário, um sapato ou bolsa assinados com seu nome. Para outro grupo porém, muitas vezes, certos nomes já deixaram de ser somente um nome há muito tempo e transformaram-se em verdadeiros atributos de valor. Acompanhar o mercado de moda é um prato cheio pra estudiosos do comportamento de consumo. Como uma marca chega a possuir determinado valor e como se torna objeto de idolatria e desejo de tantos. Miuccia Prada é uma mulher que poderia ser somente uma grande designer como muitas outras, mas além de ser uma mulher de visão e sensibilidade, transformou seu nome em uma dos mais cobiçadas grifes das últimas décadas. Tanto que virou até nome de livro que mais tarde foi adaptado ao cinema e que pincelou para um público alheio à moda um retrato meio-maios-ou-menos do que seria o backstage do mundo deste universo. Como alguns grandes nomes da moda, Miuccia é uma empresária, que junto com seu marido é dona também das marcas Miu Miu, Helmut Lang e e Azzedine Alaia. Começou herdando uma fábrica de couro do pai e logo a transformou num fenômeno. E antes que você ache que estou escrevendo essa palavrinha gasta por falta de coisa melhor pra escrever, então é bom dar uma olhadinha na fortuna que ela amealhou até hoje e a faz figurar na lista das maiores fortunas (1,4 bilhão de dólares) da revista Forbes, e uma das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo a Times. Mas vamos ao seu "segredinho" mágico, que não é segredinho nenhum para quem acompanha esse mercado: Miuccia é uma visionária. Sem perfumes, sem floreios e sem juízos de valor, ela é sim uma empresária de enorme visão e que consegue captar nas pessoas seu desejos e transformá-los em mercadoria. Os produtos Prada, parecem ser o que uma certa parcela das consumidoras de moda está constantemente à espera. E são esses consumidores que influenciam a compra de tantos outros. Numa linguagem mais destrinchada, a Prada é a marca das pessoas ditas "formadoras de opnião", não é uma moda fácil e que iria das passarelas direto pras lojas de departamentos, mas é a moda que encanta aos olhos das pessoas que buscam novidades na moda e não somente roupa pra vestir. E são essas pessoas que provocam o desejo de milhares de outras que gostariam de ser como elas. As "que vestem Prada". Isso é que dá tanto poder à marca, e que faz de Miuccia Prada a personalidade além de suas roupas, e como grande empresária que é, ela conhece perfeitamente esse processo e não para de alimentá-lo. E faz isso da mais inteligente das maneiras, aliando-se à arte. Elevando pedaços costurados de tecido e de couro a categoria de arte. Dessa forma ela afaga cada vez mais esse consumidor que a vê como uma grande antena de tendências. Ela se mostra "teoricamente" mais interessada em seu lado mais criativo e sensível às mudanças do mundo, que ao comercio de produtos em si. Como se dissesse à todos que o que importa é o sublime, se vocês querem possuí-lo, é apenas uma consequência. Mas porque isso tudo aqui, porque toda essa teoria? Simples, somente pra introduzir o mais novo investimento da marca: as animações. O boletim do Usefashion, um jornal de informações sobre moda, trouxe uma matéria sobre megatendências e lá estava o vídeo novo (não é o primeiro) da Prada , eu até achei meio tosquinha a animação. Mas ao som de música da melhor qualidade, pipocam as referências artisticas, como as do surrealismo de Dali e Duchamp.
E numa apresentação pra lá de conceitual, estão lá também o padrão rendado da coleção e o sapatos não convencionais e que são um dos maiores objetos de desejo das consumidoras de moda.
Olha, sei que blog é rápido, tem que ter sempre postagens novas. Mas vou logo avisando que o meu não vai ser assim. Tenho trabalhado um bocado e tem sobrado pouco tempo pra atualizar o blog. Como não quero colocar qualquer coisa aqui, tenho que parar pra escrever com carinho e isso leva mais tempo. Seria mais fácil se eu saísse citando posts de outros blogs, mas também essa não é minha proposta, este espaço foi feito pra refletir, colocar opniões, é menos jornalístico e mais crítico, se é que se pode classificar os blogs desta forma, afinal todos me parecem parciais, e isso não é muito jornalístico (ao menos não deveria ser).
Então pardonnemoi, mas quem acompanha o blog vai ter que esperar só um pouquinho mais pra ter notícias e posts novos. Mas juro que vou tentar ser mais assídua.
Essa ideía muito legal veio da Holanda e foi lançada na semana de moda de lá que aconteceu agora em julho. Uma dupla de designers, Gerrit Uittenbogaard e Natasja Martens da marca G+N lançou uma calça jeans que ao invés de ser costurada e pespontado como o tradicional, é colada. Isso mesmo, colada. No site, eles afirmam que o material foi testado por dois anos antes de ser lançado e que o mesmo tem durabilidade garantida. A proposta é ótima e acredito que o resultado no corpo deva ser bastante confortável, além de estar disponível com variações de cores de cola. Sem trocadilhos infames, é uma tentação para os descolados, porém a edição é limitada e somente comercializada por lá.
Esse cara é mesmo incrível. Olha, não escondo de ninguém que sou fã de carteirinha de Ronaldo Fraga. Não só como criador de moda, mas como empresário e como um "p..." homem de visão. Visão no sentido abrangente da palavra, não somente no que diz respeito ao objeto de trabalho dele, mas ao que acontece no mundo à sua volta. Nesse vídeo ele dá uma aula, de como fazer uma ação de croos branding, que é fantástica. Quantos designers não torceriam seus narizes para a idéia de trabalhar associado à uma marca de papel higiênico? Pois é, mas o cara viu nisso uma oportunidade e além de agregar valor ao produto em questão, ganhou uma parceria pra colocar sua coleção na passarela. E essa não foi a primeira nem a única vez que fez isso. Ronaldo Fraga, já esteve de mão dadas em ações similares com outros parceiros inusitados. Ronaldo é brilhante vendendo seu peixe ao mesmo tempo em que constrói uma carreira pautada em um trabalho inventivo e pouco comum. Um belo exemplo de que moda nao é somente um circo de frivolidades como muitos ainda insistem em rotular, mas uma fascinante indústria, que envolve estética, comunicação, antropologia, semiótica, matemática, e toda uma cadeia de matérias que a torna cada vez mais fascinante. Moda da melhor qualidade.
A nova loja do estilista Tom Ford em Milão Esse vídeo retrata bem o que é o luxo em moda. Repare quando Tom Ford, fala com Suzy Menkes, editora de Moda do Herald Tribune) sobre uma fragrância que foi criada exclusivamente para ser comercializada na sua loja de Milão, e o mesmo acontecerá nas outras lojas que planeja abrir, todas terão suas fragrâncias próprias. Esse detalhe, faz toda a diferença no consumo de luxo: a exclusividade. O cliente da marca, que quizer possuir as demais fragrâncias, terá que visitar as suas lojas de Londres, Nova York ou Paris para comprá-las. Mas com certeza, alguns deles não pensarão duas vezes em fazer isso, afinal o mercado de luxo não sobreviviria sem eles. Ps.: A dublagem não fiica muito legal, mas vale a matéria.